segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

It's Showtime, Folks!

There's no business, like show business! Like no business I know!

Aaaaaaaand...Action!

Here it is, All That Jazz.

O filme conta a história de Joe Gideon, um diretor, coreógrafo e produtor de musicais e filmes. O peronagem é uma versão glamourosa, encantada e romantizada do diretor do filme, Bob Fosse, ou seja: O filme é semi-autobiográfico e portanto, para entedê-lo melhor é preciso conhecer o diretor, que eu admito não conhecer tão bem....

Mas se assistir Cabaret, por exemplo, e depois All That Jazz verá que a carreira do diretor está retratada perfeitamente no filme 'autobiográfico'; é possível 'ver' Joe Gideon dirigindo Cabaret.

Isso dá um toque especial ao filme, mas ele tem valor próprio. Mesmo que você assista All That Jazz como uma ficção, poderá (e irá) se divertir. O personagem é bem construído, charmoso e interessante, apesar de todos os defeitos (que de forma geral enriquecem a imagem anterior, no melhor estilo 'Laranja Mecânica').

O diretor, ao se descrever, tem a oportunidade (talvez única) de ver os dilemas e dramas de sua vida, ver como reagiria, que escolhas faria (afinal, ele se conhece) e no final aceitar que às vezes sua escolha era obviamente, a errada. Como exemplo, cito a principal fonte dessa idéia:

O personagem quando está no hospital, age de forma contrária à sua sobrevivência, fumando, fazendo festas e afins. Essa é a postura de Bob Fosse diante da morte. Mas ele sabe que ela é idiota e absurda e admite isso na voz do médico, em sua palestra para os outros médicos:

-Dr, parece que ele não liga se quer morrer ou viver...
-Eu sei, mas acredito que ele quer viver, e muito ainda.

(sem precisão nas palavras, apenas nas idéias).

Então temos que mesmo sabendo o que realmente quer (viver), ele sabe como agiria (agirá), mostrando Joe (como já foi dito) fumando e se divertindo. Ele mostra seus dois 'lados verdadeiros' (que todos temos), um verdadeiro em suas reflexões, outro verdadeiro em suas ações. Quem aqui, ao assistir o filme, discordará que Joe Gideon não liga se morrer? Nem ele próprio discordaria, apesar de saber que no seu íntimo, ele gostaria de run it again.

Um outro detalhe interessante da idéia de escrever sua própria vida, é a morte. Ninguém sabe com será sua morte, se será gloriosa, se será bela, se será ordinária. Então, no filme, Bob teve a oportunidade de 'morrer' da melhor forma possível, com a morte mais glamourosa que alguém pode ter! Não é à toa que a cena de sua morte dura aproximadamente 10 minutos. E ele não pecou em nenhum detalhe, ela pode ser considerada inclusive o ápice do filme. O momento em que Joe corre pela arquibancada cumprimentando todos, é de arrepiar; a contradição entre morte e alegria é mais do que evidente, é fantástica.

E Bob fez bem. Ele morreu com um ataque cardíaco (o que mostra como ele se conhecia e foi sincero no filme) enquanto andava com um amigo num estacionamento ou parque (memória falhando); começou a sentir dor, sentou num banco qualquer e deu adeus à vida, da forma mais ordinária e natural possível.

Esses pequenos detalhes, além da trilha sonora e coreografias (pelo próprio Fosse, é claro) fazem de All That Jazz uma obra fantástica.

É interessante pensar que (talvez) seu melhor trabalho tenha sido justamente aquele que retrata seus trabalhos (e ele próprio).

Deve ser a mistura de talento e sinceridade. Bob Fosse nunca foi tão 'Bob Fosse' como em All That Jazz.

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