Uma garota no teatro, simples, acompanhada possivelmente pelos pais. Qual será a idade dela? Uns 20 talvez. Talvez menos, a estatura engana assim como a inocente face. Calma, risonha e alegre, não percebe que está sendo observada. Mentira, ela percebeu e olhou de volta, mas é um olhar curioso, pouco incisivo, nada observador. Talvez mais, uns 22. Devem ser os pais mesmo, que tipo de jovem é acompanhado por um casal de amigos tão mais velhos numa peça de teatro?
É, sem dúvidas são os pais. O traje é típico de um sábado paulistano: Jeans, tenis, blusa regata branca, nada realmente chamativo... O que será que chamou atenção? Não é mais bonita que a média, não é mais 'gostosa' que a média (muito pelo contrário, o corpo magro inibe o surgimento de voltosas curvas), não há nada especial na garota do teatro.
Minto, há algo muito especial: A beleza encontra seu ápice no simples. As roupas, por mais óbvias que fossem, estavam em harmonia perfeita com os curtos cabelos marrons, com o corpo franzino, com o sorriso, com os moviementos suaves dos braços.
Um claro exemplo do belo pelo simples, do excepcional pelo normal.
Dizem que as paulistanas são feias. Há duas formas de enxergar a beleza: A máscara, a imagem, e a beleza pura.
É verdade que as paulistanas não mantém a máscara sempre levantada, e é até provável que não tenham a beleza pura.
Mas a garota do teatro tinha. Um espécime digno da rara beleza paulistana.
Só não sabia quem era. Melhor: sabia, mas não o papel que representava aquela noite. Aquela noite ela não tinha nome. Era a garota do teatro.
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