Quantas vezes já discuti o valor da Nintendo?
Eles são geniais. Dominam com maestria a arte da diversão. A Nintendo é a realização do sonho, é o Spilberg dos consoles.
Como bom Nintendo-fã, vou levá-los numa viagem através do tempo na minha história com esse nome, que é muito mais que uma marca.
Alguns avisos antes do embarque: Eu abandonei o mundo dos games no final do n64. O crescimento da Sony aliado ao meu crescimento me afastaram do mundo dos consoles. Tradicional e conservador como sou, preferi abandonar essa forma de diversão frente a idéia de me render aos charmes do PS. Minha descrição, portanto, acaba com o Nintendo 64.
Capítulo 1, O surgimento.
Era final de 1990. Minha família fazia sua primeira viagem a Disneylândia. Com 5 anos, eu via aquilo como algo maravilhoso, a ida ao paraíso, à casa de meus ídolos, à terra do nunca. Eu era (sou?) um fã enorme do tio patinhas e suas aventuras, adorava Duck Tales. Talvez tenha chorado de emoção assistindo, não lembro. Para terem noção do tamanho dessa idolatria, às vésperas da viagem, meu pai (na frente de toda a família, durante um tradicional almoço de quarta -feira) me perguntou se eu preferia ir para a Disney com eles ou ganhar a assinatura vitalícia (ou por 10 anos, não lembro. Mas aos 5 anos de idade, vitalício e 10 anos são sinônimos) da revista do Tio Patinhas.
Eu não respondi, julguei que a pergunta era retórica, apenas uma piada. E eu tinha razão, meus tios caíram na gargalhada, mas a verdade é que eu não sabia qual a resposta mais adequada.
Fui para a Disney, e lá é o paraíso na terra para crianças dessa idade. Recomendo que levem seus filhos, se o câmbio permitir. É uma experiência única.
A família se reuniu na casa da Tia Célia, como de costume. Todos juntos, com suas malas. Não lembro do carro, nem de quem era o carro, mas lembro que quando estavamos na marginal a caminho do aeroporto, eu coloquei a cabeça para fora, abri um sorriso enorme e pensei: "Estamos indo para a Disney!!!!!! Caracas!!!!"
Lembro pouco do vôo, do pouso e afins. Minha próxima lembrança vívida foi num shopping, mais à noite.
A imagem de meu pai chegando com um 'Nintendinho'. Não posso dizer que eu tive a reação desse garoto aqui
http://www.youtube.com/watch?v=GGmCaAEDxDU
afinal eu nem sabia o que era um video game! (Não, eu nunca joguei Atari nem Master
System, Mega Drive e etc), mas achei legal.
Ao voltar para o Brasil, comecei a jogar. O primeiro jogo foi, claro, Super Mario.
Cara, a nintendo é demais... Tudo bem, eu não morria de amores por aquilo, mas nunca tinha encontrado algo que me divertisse tanto... Era viver num mundo de fantasias, um mundo de sonhos! Cada fase, cada truque para avançar de mundo!
Como eu não tinha dinheiro para comprar jogos, tinha só esse mesmo (mas na verdade vinham dois jogos nessa fita. O outro era de tiro, em pratos ou patos). Mas meus primos, numa situação financeira privilegiada, compraram o Super Nintendo assim que foi lançado (pouco depois de termos adquirido o Nintendinho, se eu não me engano) e me fizeram uma surpresa enorme:
Um dia, num dos almoços, meu primo disse que tinha uma surpresa para mim.
O console e todos os jogos dele!!! Agora eu tinha 2 (DOIS!) Nintendinhos e 4 (QUATRO!!) Controles! Ok, isso não significa nada, já que eu só posso jogar um de cada vez.
Mas de uma fita nós (nessa época meu irmão já jogava também) passamos a ter umas 20!!! Incrível!
As que me lembro bem são:
Stealth - Um jogo de avião em que o objetivo é derrubar os inimigos. E ainda tinha que levantar vôo e pousar depois de cada missão! Foi com ele que aprendi que o avião toca as rodas traseiras antes na pista!
Super Mario 2 - Uma porcaria. Ok, me diverti com ele, mas ô ideiazinha de jirico fazer o Mario pegar rabanetes no chão para tacar nos outros!!!
Super Mario 3 - Esse sim um grande acerto. GE-NI-AL. O melhor Mario até hoje, disparado. As fantasias voltaram, as moedas! Quem não se lembra daquele castelo no sétimo mundo (um dos melhores) em que era possível ficar pegando moedas indefinidamente e conseguindo vidas? Eu já fiquei com mais de 70 vidas naquela fase!
E aquele mundo em que tudo era gigante?
Eu já sonhei com esse jogo mais de uma vez, ele foi o melhor.
Olimpíadas - Esse merece um destaque: Tinha um tapete especial, para colocar no chão. Ele tinha sensores de peso, então a idéia era essa:
Na pista de corrida, por exemplo, você tinha de correr no lugar, pisando nos sensores. O jogo via a velocidade que estava correndo (na verdade o tempo entre uma passada e outra) e colocava na tela. Tinha 100 metros rasos, 100 com barreiras, salto em distância, salto triplo!
Lembro de meu pai um dia reclamar que era 5 da manhã enquanto eu e meu irmão estavamos fazendo barulho com o "plá plá plá plá plá plá" correndo no tapete. E não, nós não passamos a noite acordados. Nós acordamos cedo para jogar. Não lembro nessa época de ter acordado tão cedo por outro motivo. Eu amava a Nintendo.
Mas o Super Nes já estava no mercado há um tempinho, e eu claro, tinha contato com ele através de amigos e etc. Lembro de passar tardes a fio na casa de um amigo jogando jogos de corrida.
Até que em um natal, meu pai disse que o presente estava escondido, era uma gincana. Ele me deu uma pista, e no melhor estilo caça ao tesouro eu e meu irmão saímos desesperados atrás das próximas pistas que levariam ao grande prêmio! Uma das pistas estava na caixa de força, mas a realmente difícil foi a última:
"É, não é uma Brastemp..."
O que diabos isso significava????? Geladeira? Nunca tinha ouvido isso antes! No desespero fomos na máquina de lavar e lá estava ele:
Um Super Nintendo!!!!
Foi injusto usar como pista uma propaganda que nem era da minha época, mas papai gostava de desafios.
Só que a minha relação com o super nintendo foi breve: Junto com o console veio um jogo de monstros e uma bazuca (????) mas nenhum controle. Nós não conseguíamos jogar sem o controle... (A Bazuca era para aquele jogo mesmo, mas sem controle não dá!!!)
Ficamos de comprar o controle, o que nunca ocorreu. Mas isso não foi ruim, eu estava satisfeito com o nintendinho. Na verdade, a decepção com o super só reforçou minha relação com o nes.
Então apesar de eu ter tido um snes, na prática eu nunca joguei um. Um meu. Mal conheço os jogos desse console, mal joguei o Mario, tudo na casa de amigos.
Você pode ver, que por pelo menos uns 7 anos, eu joguei o Nintendinho insistentemente. Aquele console, sem dúvidas fez parte da minha vida.
Ele está 'guardado' (jogado) em algum canto, mas algumas vezes eu pego ele com amor, limpo e jogo um pouco. A última vez foi no terceiro ano da USP, se não me engano.
Já a próxima, será nessas férias. Aquele Nintendo é um grande amor. O tempo passa, nós mudamos. Mas meu lado criança ainda tem o brilho nos olhos que tinha na época que eu era de criança de fato. É só pensar nas horas que passamos juntos...
Depois continuo com a chegada do n64 e sua revolução. Já acabou o expediente e eu tenho que estudar.
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